O que empreendedores brasileiros e americanos não tem em comum

Eu sou um brasileiro e que tenho trabalhado 100% com dedicação a minha startup no Vale do Silício nos dois últimos anos da minha vida. Quando eu compartilho esta minha experiência com investidores e empreendedores, percebo que tenho realizado as coisas certas e por isso os meus resultados tenham ocorrido rapidamente. Apesar de minha agenda muito corrida – pois além de minha startup, tenho minha rotina familiar e o meu bem estar para cuidar – crio ainda tarefas como esta de escrever e tentar compartilhar o meu aprendizado no epicentro do mundo dos empreendedores, com o objetivo de ajudar mais startups a trilharem caminhos mais assertivos e alcançarem êxito em seus negócios.

Durante dois anos eu aprendi muitas coisas no Vale do Silício do ponto de vista técnico, que foi aprendido por uma questão de necessidade para a gestão de qualquer startup. De qualquer maneira,  o aprendizado comportamental e a orientação mental (mindset) foram aspectos determinantes que nos fizeram cumprir efetivamente com as tarefas necessárias para o estabelecimento e a evolução de nossa startup durante esse período e atingir o ponto de tração e iteração para o próximo nível.

Com base nesta experiência no Vale e nestes fundamentos, decidi ressaltar neste artigo, as 3 principais comparações que empreendedores brasileiros e americanos não tem em comum. Creio que desta forma, este comparativo pode transferir para outros empreendedores a decisão de mudanças importantes de comportamento, que certamente trarão a aceleração de resultados para as suas próprias startups:

  1. Empreendedores americanos não improvisam como os brasileiros.

Essa característica na minha opinião é a mais importante de todas quando se trata de trabalho profissional sério, que resultará em uma conversa futura com um cliente, fornecedor, investidor ou um novo colaborador do seu time. Eu não estou dizendo que não improvisar seja certo ou errado. Eu gostaria apenas que essa comparação faça você avaliar se ao improvisar demais, você não estaria assumindo riscos e tomando decisões que afetarão fatores importantes da sua startup.

  1. Empreendedores americanos não são orientados em receita como os brasileiros.

Os brasileiros geralmente se lançam em um novo empreendimento por necessidade de dinheiro, falta de oportunidades de trabalho com melhores remunerações e que geralmente exija apenas a experiência mínima do último emprego. Por estas razões, existe uma tendência do empreendedor brasileiro de capturar receitas imediatas, mudando o foco inicial da startup quando uma oportunidade aparece. É nesse momento que este cenário de improviso somado a necessidade de dinheiro rápido, geralmente diverge daquilo que ele já fez com sucesso, repetidas vezes antes. A disponibilidade de recurso financeiro inicial e a solidez no empreendimento para ter acesso rápido ao capital de risco no momento certo fazem toda a diferença entre o empreendedor brasileiro e o americano.

  1. Empreendedores americanos não transferem suas responsabilidades.

O que muitos empreendedores precisam entender é que empreender é assumir riscos. O risco é algo que pode ser gerenciado porém não pode ser eliminado. Ou seja, se algo pode dar errado, prepare-se para o pior. Macroeconomia é o maior risco que você vai enfrentar em sua startup, portanto não pense que macroeconomia é coisa para jornalistas ou analistas de Wall Street. Suas vendas serão afetadas pelos problemas da Grécia, da China e dos Estados Unidos, não importando onde sua startup estiver localizada. Neste ponto, o que o empreendedor americano faz diferente do empreendedor brasileiro é desenvolver rapidamente os canais de vendas de sua startup, reduzindo os impactos externos sobre as receitas. Eu particularmente enfrento muitas dificuldades em adquirir novos canais de vendas com os empreendedores brasileiros por falta de retorno, foco, tempo e visão que cada dólar conta no final do dia para a sua própria startup. Portanto, na minha opinião, depois do cliente e da receita principal, a terceira maior prioridade para um empreendedor é assumir suas responsabilidades como tal e desenvolver rapidamente novos canais de vendas.

Enquanto muitos brasileiros visitam o Vale do Silício em busca de conhecimento, novas experiências e principalmente desenvolver as suas startups, talvez eles não encontrarão o que pretendem por aqui. Talvez esta busca esteja muito mais próxima ou distante daqui.
Depois que comecei a empreender no Vale, percebi que os elementos mais importantes para se alcançar êxito estão principalmente em nossa cultura, valores e comportamentos como indivíduos – o que os americanos chamam de mindset.
Na minha opinião, estes elementos mentais/comportamentais são as maiores diferenças entre os empreendedores americanos e brasileiros.

Sem dúvida que uma viagem ao Vale do Silício trará muitas reflexões e aprendizados, mas a maior e mais importante viagem que um empreendedor pode fazer para alcançar sucesso com a sua startup, é para dentro de si.

“Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta” (Jung)

Robson Oliveira
Empreendedor, Criador da startup KickSIM e Consultor the99

Posted on 15/10/2015 in counseling, mentoring, negócios

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